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1. Evolução Histórica Clique sobre o assunto pretendido
1.1 Castro de
Caldelas – Caldelas Celta 1.2 Romanização
– Caldelas Romana 1.3 Idade
Média 1.4 Aparecimento
de Caldelas – primeiro registo histórico 1.5 “Renascimento”
do Sec. XVIII – exploração termal 3. Heráldica |
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1.1. Castro de Caldelas – Caldelas Celta
A origem de Caldelas
é localizável, aos conhecimentos de hoje,
à saída da pré-história, através da existência de uma pequena povoação
castreja, fortificada, em que viviam um reduzido número de famílias Celtas. Essa
povoação proto-histórica é ainda hoje localizável no outeiro de S. Sebastião
(latitude:180; longitude:522.35; alttude:222 m), junto do actual lugar do
Monte, sendo identificáveis actualmente somente algum material de derrube,
nos locais onde passaram as muralhas, visto que a cobertura vegetal do cabeço
não deixa perceber quaisquer estruturas à superfície. |
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1.2. Romanização – Caldelas Romana
Desconhece-se, por falta de trabalho arqueológico, se o
pequeno povoado castrejo terá sido romanizado, e daí ter originado a
“Caldelas Romana”, mas o contacto da povoação de Caldelas com os Romanos é um
facto histórico inegável. A sua posição geográfica, assente numa colina
próxima do vale do Homem, marginada por dois cursos de água (um rio e uma
regato), facilmente defensável contra agressores indesejáveis, terá oferecido
condições excelentes aos romanos para implementarem a sua organização e a sua língua na zona. Para comprovar a
romanização de Caldelas, basta atender aos vestígios romanos encontrados na
localidade, que vão desde uma Necrópole Romana (latitude:180;
longitude:522.2; alttude:150 m), identificada pelo Padre João Martins de
Freitas, no início do século, aquando de obras no que é hoje o Grande Hotel
da Bela Vista, tendo sido encontrados nesta três vasos de cerâmica comum
romana, inteiros, com pastas claras, muito semelhantes a outros exumados nas
necrópoles de Braccara Augusta, ou mesmo, as duas lápides (hoje expostas no
hall de entrada do Grande Hotel da Bela Vista), duas aras votivas,
epigrafadas, dedicadas ás Ninfas, encontradas em 1803 aquando da realização
de obras junto das nascentes das termas, uma com a inscrição “CAEN(i)/
CIEN(US)/ NYM/ PHIS/ EX VO/ TO”, que pode ser transcrito para português como,
“Ceniciano ás Ninfas por voto”, e outra “.../ D(e)AB(US)/ NYM/PHIS/ EX VO/
TO”, que pode ser transcrita como, “Ás Deusas Ninfas por voto”. É evidente,
na segunda parte de ambas as inscrições,
a expressão de um voto (uma promessa) feito ás Deusas Ninfas daquelas
nascentes, mostrando claramente, que os romanos, conheceram, utilizaram e
apreciaram aquelas nascentes, atribuindo-lhes “poderes sobrenaturais”. |
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1.3. Idade
Média
Na primeira metade do século V da nossa era, os
Bárbaros, povos do norte da Europa e Ásia ocidental, invadiriam em vagas
sucessivas o Império Romano do Ocidente, usando a técnica da terra queimada,
destruindo tudo á sua passagem. Braccara Augusta foi conquistada pelos
Visigodos em 456 e Roma foi tomada pelos Hérulos, vinte anos depois, em 476,
ditando assim o fim definitivo do Império Romano do Ocidente e dando início
ao que viria a ser conhecido na História Universal como a Idade Média. Para
Caldelas, a Idade Média foi um “túnel” de silêncio e desinteresse, época que
pode mesmo ser considerada de decadência. Tal pode ser explicado pela fúria
devastadora dos Bárbaros, que como parte vencedora, entendiam que deviam destruir todo o que lhes recordasse
os vencidos conjugada com o desinteresse da Igreja, unidade central de poder
da Idade Média, pelas nascentes termais de Caldelas, que tinha sido
descobertas por idólatras e pagãos, que adoravam forças da natureza e não
Deus. |
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1.4. Aparecimento
de Caldelas – primeiro registo histórico
Num documento de 1145, relativo a direitos de igrejas, herdades e
rendimentos, é dada notícia duma divisão de arcediagos de Braga entre o
arcebispo e o seu cabido, sendo referidos nomes de freguesias vizinhas de
Caldelas, como Torre e S. Vicente. Contudo neste documento não é referido expressamente o nome de
Caldelas, apesar de pertencer ao referido arquidiaconato de Entre Homem e
Cávado. Este facto pode ser explicado, não pela inexistência de Caldelas á
altura, mas sim pelo facto de esta ser terra de Comenda de Cristo, tendo o
título de reitoria, até 1918, ano das Constituições Bracarenses, tendo só
então sido convertida em Abadia. O
primeiro registo histórico de Caldelas, data de 1208, num documento do papa
Inocêncio III, que encarregava o Deão de Zamora, de resolver um conflito
entre o arcebispo de Braga e algumas freguesias que se recusavam a pagar
direitos á cúria diocesana. Entre as freguesias mencionadas no referido
documento, consta expressamente o nome
da freguesia de Sant´iago de
Caldelas, significando isto que esta já tinha existência canónica em
1208. Num outro documento de 1214, sobre uma divisão de dádivas entre o
arcebispo de Braga e o seu cabido, também consta expressamente o nome de Sant´iago
de Caldelas. |
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1.5. Renascimento do séc. XVIII – exploração
termal
Em meados do séc. XVIII começou em Caldelas um novo período histórico,
devido em grande parte aos conselhos dum frade carmelita e, depois, à
dedicação activa dos frades do Mosteiro de Rendufe. Assim, em 1779, um frade
carmelita descalço, Frei Cristóvão dos Reis, administrador da botica do
Convento do Carmo em Braga, publica em Lisboa uma obra intitulada “Reflexões
Metódico-Botânicas (e outras notícias de águas minerais)”, onde o autor faz
várias considerações sobre as duas nascentes termais, a que chamou Caldas do
Albito, na freguesia de Caldelas, e das quais se pode salientar a menção ao
desinteresse que vinha de longe pelas duas nascentes, visto os locais não as
usarem como águas medicinais, servindo estas apenas como qualquer nascente
vulgar para lavar roupa, referindo que
nas condições em que as encontrou não havia condições sequer para banhos.
Contudo, refere virtudes terapêuticas extraordinárias para as águas das duas
nascentes, nas áreas de tratamentos cutâneos e gástrico-intestinais,
enumerando sucessos curativos alcançados por pessoas a quem as aconselhou. O frei Cristóvão, pode ser
considerado como o desencadeador, em meados do séc. XVIII, do movimento
popular que produziu o “Renascimento” das águas mínero-medicinais de
Caldelas. O povo começou então a
utilizar as águas mínero-medicinais, de uma maneira desordenada, não
existindo instalações adequadas para tal. Em 1780, as águas mínero-medicinais
de Caldelas começaram a ser administradas pelos frades do Mosteiro de
Rendufe, até 1834, ano da extinção das ordens religiosas. Foi na
administração do Mosteiro de Rendufe que se operou, nas Caldas do
Albito, a transição da fase de
utilização primitiva, para uma utilização disciplinada, a caminho da
exploração moderna. Em 1803, fizeram obras, construíram quatro poços em pedra
e instalaram a chamada ainda hoje chamada
“Bica de Fora”. Após 1834, a administração termal passou
sucessivamente, pelo pároco de Caldelas, pela Câmara Municipal de Caldelas,
pelo Visconde de Semelhe e finalmente, pela administração actual da Empresa
das Águas Mínero-Medicinais de Caldelas, tendo a vida de Caldelas ficado
permanentemente ligada, até aos dias de hoje, com a vida das suas Termas. |
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2. Nome da Povoação
O nome de Caldelas (Caldellas na grafia antiga), é todo
de origem latina e o seu significado relaciona-se directamente com as
nascentes mínero-medicinais. Assim,
etimologicamente, o vocábulo “Calldelas” é uma palavra derivada do étimo
latino “calda” (que significa água quente) com o sufixo diminutivo “ella”
também latino (que junta a ideia de pequenez), sendo o plural utilizado para
referir duas nascentes. Assim “Caldellas” significa literalmente “pequenas
águas quentes”, estando o nome da povoação naturalmente ligado ao período da
romanização atrás referido, existindo registos escritos deste nome desde o
sécilo XIII. Caldelas, só com um l, é
a grafia moderna, adoptada no primeiro quartel deste século. A título de curiosidade, refere-se aqui uma ingénua e
errónea lenda, contada ainda hoje,
sobre o nome Caldelas, certamente provocado por um erro ortográfico feito no
século XVI. Assim, num documento datado de 1528, sobre direitos devidos ao
arcebispo de Braga, o nome da povoação aparece com a grafia de Qualdellas,
mais exactamente Sant´iago de Qualdellas. Por esta grafia alguém
entendeu o que o vocábulo era composto pela justaposição de “Qual-dellas”,
tendo o povo, sempre com a sua adorada imaginação, encontrado de imediato um
significado para este nome, criando a lenda que passamos a descrever
resumidamente: certo dia um forasteiro, que procurava o alívio das águas
milagrosas, quando chegou junto das nascentes, deparou-se com a existência de
não uma, mas sim, duas nascentes (que ainda hoje existem) e naturalmente
perguntou, a alguém que se encontrava no local, “De Qual dellas devo
beber?”. Contudo esta lenda, tal como referido acima, e o nome Qualdellas, derivam
certamente de uma erro de um escrivão menos rigoroso, que trocou o C
por Qu, visto que a grafia Caldellas
está registada em diversos documentos dos três séculos anteriores ao primeiro
aparecimento da grafia Qualdellas.
Quanto aos nomes que identificaram as águas mínero-medicinais, podemos
referir cronologicamente, desde os tempos da romanização até aos nossos dias,
Caldellas, Caldas do Alvito (pequeno ribeiro que passa junto ao local), Caldas de Rendufe, Caldas de Caldelas,
Poços e Banhos e finalmente, Termas de Caldelas. |
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3. Heráldica
Armas - Escudo de vermelho, com um
círculo de prata carregado de burelas ondadas de azul; em chefe, duas vieiras
de ouro realçadas de negro; campanha ondada de prata carregada de uma burela
ondada de azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com a
legenda a negro, em maiúsculas : “ CALDELAS - AMARES “. Intrepretação das Armas – Escudo
vermelho, simboliza a paz das gentes de Caldelas; círculo de prata de burelas
ondadas de azul, símbolo heráldico das termas; vieiras de ouro, símbolo do
orago São Tiago; campanha ondada de prata carregada de uma burela ondada de
azul, simboliza os aquíferos que passam em Caldelas, Rio Homem e Ribeiro
Albito; coroa mural de prata de quatro torres, simbolo de uma vila. Orago: São Tiago; Área: 4,5 km. Elevação da sede da freguesia a vila em
02/07/1993. Ordenação
heráldica do brasão e bandeira publicada no Diário da República, III Série de 31/05/2000.
Para mais
informações visitar www.fisicohomepage.hpg.ig.com.br/caldelasamr.htm |
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13/10/2005